É atribuída a Heráclito a frase “um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio, porque nem o homem nem o rio serão os mesmos”.
Com as organizações sociais acredito que o fenômeno ocorre cotidianamente, independente do tamanho ou da área de atuação.
O paradoxo que menciono é que as organizações existem para mudar uma realidade e, ao agirem, transformam e são transformadas por esta mesma realidade. Algumas percebem isso através dos mecanismos de afinidade e sintonia com os “públicos interessados” que possuem, outras nem tanto.
Esta capacidade de avaliar, manter o que é necessário e mudar o que for preciso é, a meu ver, um dos fatores críticos de sucesso de uma organização, na implantação de sua missão e alcançar a visão de longo prazo.
As organizações operam segundo um conceito de “processo”, onde uma estrutura é alimentada com recursos, desempenhando funções, que geram um resultado. Ao fazer o diagnóstico ou levantamento de uma necessidade social de um grupo ou comunidade, a organização define uma proposta de intervenção – um projeto ou programa – e implanta a(s) iniciativa(s) e monitora os resultados.
Este resultado obtido, fruto da atuação da organização, aliada a outras parceiras e congêneres, acaba por transformar aquela realidade detectada anteriormente. Isto força a elaboração de um novo diagnóstico, reavaliando os processos e iniciativas, pois do contrário, não será um “processo” e sim uma repetição de ações sem fim.
Adequar estas transformações, impondo velocidade e recursos, não é um desafio exclusivo das organizações sociais. Também é verdade para as organizações corporativas, que as vezes se utilizam de instrumentos e ferramentas específicas do 2o. setor ou comuns ao 3otambém. Cabe as organizações sociais, analisarem os parâmetros do 2o. setor e utilizar os que melhor lhes convierem.
Algumas instituições possuem a capacidade de determinar estas mudanças, reorientações ou posicionamentos, mesmo com poucos instrumentos, e acredito que um dos pontos chave deste processo, seja o grau de sensibilidade e sintonia com os “públicos interessados”, e ao gerenciamento destas relações.
Esta sintonia fica a cargo das funções de Desenvolvimento Institucional, onde as relações entre os públicos e a instituição são mapeadas e gerenciadas estrategicamente, para que não só contribuam para que o resultado seja alcançado, mas sinalizem os caminhos para as propostas futuras de atuação. E aqui novamente ressalto que, prioritariamente, Mobilização de Recursos e Comunicação devem estar integradas, juntamente também com a área programática, para que estas sinalizações sejam traduzidas em iniciativas internas e externas para estas novas situações.
Assim, o fator “gestão” ganha uma nova abordagem, pois não se limita a realizar bem feito o que se propõe (eficiência), mas também focar no que é prioritário (eficácia). É um processo de escolhas e decisões, e somente com uma consciência dos valores, fortalezas, deficiências e ativos da organização, que estas escolhas podem ser perfeitamente decididas.
Com esta prática, a organização será totalmente nova a cada dia, mesmo sendo sempre a mesma.
Walter Topfstedt – mar.2012



O Investimento Social Privado, quando executado de maneira estratégica, ou seja, alinhado às diretrizes de responsabilidade social e sustentabilidade e às estratégias de negócio da empresa, integrando a perspectiva interna à perspectiva externa do negócio, e gerando valor para a empresa e sociedade, torna a empresa sujeito do processo de transformação social do país. Mas no que isto é diferente da filantropia?
Leonardo Letelier is founder and CEO of sitawi, Brazil’s first Social Fund. He received one of the SOCAP/Europe Entrepreneur Scholarships. In this blog Leonardo distinguishes different understandings of impact and open-heartedly reflects on sitawi’s choice to invest in ‘real mission driven’ small and medium enterprises (SME’s).
Descobrimos há pouco, e aqui me incluo, que o crowdfunding é a melhor solução para tantos e tantos projetos Brasil à fora que não tinham alternativa a não ser ficar no fundo de uma gaveta. Que o microcrédito vai ajudar a financiar ótimas ideias isso não é novidade e não há problema algum nisso. O que me intriga, e acho que talvez seja um assunto comum a outros entusiastas, é a dificuldade dos gestores de projetos em montar uma estratégia eficiente para levantar os fundos.
CULTURA DA DOAÇÃO
Leia o artigo de Fábio Di Natale Guimarães, Rogério Hermida Quintella e Renê Pimentel, da Universidade Federal da Bahia.




